O plantio, o cultivo de uma vinha
(ou parreira) e a colheita de seus frutos é a imagem que Palavra de Deus usa
para falar da nossa relação com Ele (Isaías 5,1-7; Mateus 21,33-43).
Nós somos fruto da obra do amor de
Deus. Não existiríamos se Deus não nos amasse. Por amor nos criou, preparou
esta Casa Comum para “plantar-nos” aqui. Ele nos cerca de carinho e proteção,
adubando-nos diariamente com seu amor. Tudo o que o amor espera é
correspondência. E quantas vezes, na história da humanidade, o ser humano tem
se voltado contra Deus e produzido uvas azedas! Ou, como aborda Jesus no
Evangelho de Mateus, quantas vezes nós nos apropriamos dos frutos da vinha e
dispensamos Deus! Quanta ingratidão, quanta incapacidade de reconhecer que tudo
vem d’Ele e deve orientar-se para Ele!
As imagens da vinha podem fazer-nos
pensar três contextos: a Igreja, as novas tecnologias, as eleições.
A Igreja não é nossa. Ela é a vinha
do Senhor. Não devemos viver nossa fé apenas em função de nós mesmos, de nossos
interesses, do aumento do nosso poder e influência. Somos colaboradores do
Senhor. É a Ele que pertencem os frutos da nossa missão.
As novas tecnologias, sobretudo a
Inteligência Artificial, estão a serviço de quem? O desenvolvimento de novas
tecnologias não é neutro. O Papa Leão XIV afirma que a IA não é, em si, boa nem
má. Mas deixa claro que não é neutra: tem o rosto dos que a concebem,
financiam, regulam e utilizam. A quem servem as tecnologias? Quem se beneficia
dos seus frutos?
A política deve ser o espaço do cultivo do bem comum, para que todas as pessoas possam viver com dignidade. É legítima e até necessária a diferença ideológica entre partidos políticos. O que me preocupa é ver que, por detrás dos candidatos, há interesses – deles e de outros – para se apropriarem dos frutos do trabalho da população. Podemos pensar no nosso país, estado e cidade como uma parte desta vinha do Senhor. Tudo o que Ele espera é que produzamos frutos bons e que estes frutos não sejam propriedade de poucos, mas sirvam para alimentar a todos.
Desejo que teu voto, no próximo domingo, seja fruto de um bom discernimento! Participar da vida em sociedade é um fruto bom que Deus espera de ti!
Pe. Eduardo Luis Haas
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