Aprender a semear


Aprender a semear

           Semear é uma arte. É preciso conhecer a semente e o terreno. É preciso pensar naquilo que vai se tornar a semente, para dar o tempo e a distância necessários. É fundamental conhecer também o clima e observar a estação certa, a época que se vive.

        Jesus, falando para o povo de uma realidade agrícola, conta a parábola do semeador (Mateus 13,1-23). Há quatro tipos principais de ouvintes, comparados com os tipos de terreno. 1. Os de coração duro como a terra pisada de uma estrada. Não há como a semente da Palavra penetrar e germinar. 2. Os de coração inconstante. Se entusiasmam fácil, mas desanimam logo com as dificuldades. 3. Os de coração materialista. A prioridade é a riqueza, os bens, o trabalho. Essas preocupações são como espinheiros que sufocam o crescimento da Palavra. 4. Os de coração aberto e disponível. A Palavra é acolhida e dá muito fruto.

         A semente é a mesma. A diferença está no terreno que a recebe. Que tipo de terreno temos sido? Ainda que os terrenos sejam diferentes e já se saiba que não darão o mesmo resultado, Jesus semeia com bondade, misericórdia e generosidade.

         O que é semear? Semear tem relação com lançar a Palavra, anunciar o Reino de Deus. Semear não é apenas fazer uma pregação sobre Jesus ou sobre o Evangelho. Penso que semear é viver espalhando atitudes que possam germinar e produzir frutos bons. Por exemplo, quando se é gentil, educado e generoso com uma pessoa, se está semeando. Quando perdoamos alguém, semeamos misericórdia, na esperança de termos frutos de paz. Quando dividimos um pouco do que temos para socorrer alguém em necessidade, semeamos fraternidade e possivelmente se colherá generosidade e partilha.

          O semeador precisa saber esperar. Cada semente tem seu tempo de germinação, crescimento, maturação dos frutos. Penso que hoje muitos querem logo colher os resultados da ação. É preciso saber esperar, especialmente quando se fala de pessoas, de processos, de espiritualidade. Recordo a sabedoria daquele canto: “Põe a semente na terra, não será em vão. Não te preocupe a colheita; plantas para o irmão!”.

        Somos terreno e somos semeadores. Peçamos a graça de Deus de acolhermos generosamente a boa semente que é lançada em nossa vida. E sejamos corajosos, generosos e persistentes semeadores do que é bom! 

           Pe. Eduardo Luis Haas

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