Autenticidade: o caminho da conversão


Autenticidade: o caminho da conversão

  Causa indignação quando ouvimos pessoas que falam uma coisa e praticam outra. A incoerência, a falsidade e a duplicidade são atitudes que nos revoltam e nos deixam indignados. Essa constatação nos ajuda a entrar no contexto da Palavra de Deus do próximo domingo.

  Deus leva a sério a liberdade humana. Nossas ações são determinantes para o nosso destino. Não são as palavras que dizemos que determinam nossa pertença religiosa ao Senhor, mas, sim, nossas ações concretas.

            O profeta Ezequiel (18,25-28) é enfático ao afirmar que a nossa vida não é determinada pelas ações do passado, de outras pessoas ou do povo a que pertencemos: nós somos responsáveis por nossas ações.

           No Evangelho lemos a parábola, contada por Jesus, dos dois filhos que recebem a mesma ordem: trabalhar na vinha do pai. Um filho diz que vai, mas acaba não indo; o outro diz que não vai, mas muda de ideia e faz a vontade do pai. E Jesus, depois de envolver os interlocutores na resposta, diz uma das frases mais duras da Escritura para os sacerdotes e mestres da Lei: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino dos Céus!”. Duas categorias rejeitadas – cobradores de impostos e prostitutas – são declaradas por Jesus como aquelas que chegam antes dos sacerdotes e mestres da Lei no Reino de Deus (Mateus 21,28-32).

            Por que esta precedência? Pois estes dois grupos – cobradores de impostos e prostitutas – embora pecadores, estão dispostos a mudar de vida, a modificar as atitudes concretas, a abandonar o pecado. Jesus encontra mais acolhida entre os pecadores públicos do que entre os religiosos e letrados do seu tempo.

            O Reino de Deus não é propriedade dos que se consideram justos. Ele será entregue aos que reconhecem seu pecado e fazem esforço para mudar de vida.

          Para sermos fiéis ao seguimento de Jesus é preciso ter, como escreve Paulo, os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (Filipenses 2,1-11). Não é sentimentalismo, mas é um chamado a ter a mesma sensibilidade de Jesus para com o sofrimento e a necessidade do outro. Peçamos a graça da coerência. Evitemos fazer de conta que somos algo que não vivemos de fato. A autenticidade, que passa pelo reconhecimento dos próprios pecados, limites e fragilidades, é a atitude que Jesus espera encontrar em cada pessoa humana.

Pe. Eduardo Luis Haas

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