Força e paciência


Força e paciência

         Têm crescido no mundo a ideia de isolar-se do que se considera ruim, perigoso, ameaçador. Cresce nas igrejas uma tendência de alguns cristãos a não se misturar com o mundo pecaminoso que poder perverter os caminhos dos nossos filhos. Nestas buscas há algo positivo, que é manter-se no caminho do bem. Mas esconde, também, uma armadilha, um perigo.

         A Palavra de Deus que será meditada neste domingo nos convida a tomar alguns cuidados. O primeiro deles é que não é tão simples definir quem é bom e quem é mau. Basta ler a parábola que Jesus propõe, do joio e do trigo (Mt 13, 24-30). Ela se completa com a intuição do Livro da Sabedoria (12, 13.16-19): “A tua força é o princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente”. 

         A questão de fundo é: por que Deus não arranca do mundo os maus? Como Ele permite que existam pessoas que são como joio (praga, inço, erva daninha) no meio do trigo? A Palavra nos convida a confiar na força e na paciência de Deus. Ele nos criou livres e permite que vivamos, mesmo quando fazemos escolhas erradas. Ele tem a inabalável esperança de que, cada um no tempo oportuno, se converta. 

        Sempre que nós queremos classificar as pessoas entre boas e más, entre santas e pecadoras, cometemos graves erros. Sei que é difícil conviver e, muitas vezes, também tenho vontade de logo “arrancar o joio”. Mas eu não tenho a sabedoria que Deus tem, não conheço o coração das pessoas, não posso julgar e não posso abreviar o tempo da vida de ninguém. O que importa é que eu não deixe de produzir os frutos que o Senhor espera de mim, o trigo que eu devo produzir. 

        Devemos escolher boas companhias para nós e para quem amamos. Mas nunca devemos nos considerar superiores, melhores, mais sábios e convertidos do que os outros. Lembremos que Jesus se aproximou de muitas pessoas que eram consideradas “joio” e tirou delas muito “trigo” bom! Só Deus conjuga com perfeição força e paciência, justiça e misericórdia. Então, confiemos n’Ele. A história não está perdida. Ela é história da salvação. 

        Pe. Eduardo Luis Haas

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