Uma das tarefas mais desafiadoras é a construção da própria
identidade. O pai e a mãe tentam moldar os filhos: ensinam, educam, estimulam,
incentivam, corrigem. Quando duas pessoas se amam, vão também deixando-se
moldar uma pela outra. Toda a relação de amor autêntico comporta moldar-se e
deixar-se moldar. Não é diferente a relação com Deus: Ele nos ama, e seu amor
quer moldar em nós a imagem de um filho, uma filha. O amor não é dominação. O
amor é relação, e relações nos ajudam a construir identidade pessoal.
Quando duas
pessoas se conhecem e começam uma relação amorosa, sua vida passa por uma
transformação: os horários, as programações, os interesses, as decisões... O
amor vai moldando, modelando a vida. Quando o tempo passa e se lança um olhar
retrospectivo para a vida, percebe-se que fomos moldados pelas escolhas que
fizemos, pelos amores que nos moveram.
É
fundamental cada pessoa tomar para si a responsabilidade por suas escolhas,
pensar na direção que dá à própria vida, refletir e avaliar o seu percurso. E
nesse caminho o amor é fundamental: não é adequado fazer as escolhas da vida só
por conveniência, por facilidade, por interesse financeiro ou profissional –
tudo isso importa, mas não basta. O amor deve ser critério último de nossas
decisões, é ele que deve nos moldar.
Crer é
aceitar deixar-se amar por Deus, crer é deixar-se moldar por Deus. Esta é a
missão do Espírito Santo: com a nossa ajuda, moldar em nós a imagem – a
identidade – de um filho, de uma filha de Deus.
E o
Espírito Santo faz isso discreta e silenciosamente. Ele é o sopro da vida de
Deus que nos habita e, como o movimento da respiração do corpo, nos sustenta e
impulsiona. Não é um processo involuntário: nós devemos colaborar ativamente na
obra que o Espírito Santo quer fazer em nós: moldar-nos. E isso é feito na fé,
na oração, na celebração em comunidade, na meditação da Palavra de Deus, nos
sacramentos, nos acontecimentos da vida. Deus age, sempre. E nós vamos nos
moldando à medida que vivemos, caminhamos e seguimos Àquele que nos chamou:
Jesus Cristo. A meta da vida é chegar ao Pai. O caminho é Jesus. E o Espírito
Santo é o companheiro interior que, a cada passo, nos sustenta e acompanha.
Não estás só. Não rumas para o
nada. Deixa que o amor de Deus vá te moldando. Essa é a salvação, nela
encontrarás o sentido para a vida. Deixa o Amor te moldar!
Pe. Eduardo Luis Haas
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