A liturgia da Palavra deste domingo
nos convida a uma das atitudes mais nobres e desafiadoras da vida: o perdão a
alguém que nos ofendeu, que nos agrediu. Estamos no contexto de pessoas que
creem em Deus. Por isso, o pressuposto para entender o perdão é o seguinte:
Deus nos perdoa sempre que pedimos; então, como podemos não perdoar aos nossos
irmãos?
O Livro do Eclesiástico (27,33-28,9)
começa com uma afirmação: “A raiva e o rancor são coisas detestáveis; até o
pecador procura dominá-las”. A raiva e o rancor nos adoecem, abreviam a vida,
nos afastam de Deus. Como rezar com autenticidade se estamos presos à raiva e
ao rancor? É evidente que, logo que somos agredidos ou lesados, a raiva é uma
reação natural. Contudo, sentir rancor é continuar alimentando esta raiva
dentro de nós, o que é muito prejudicial.
A continuação da leitura, o salmo
102 e o Evangelho (Mt 18, 21-35) trazem a grande motivação para o perdão: o
Senhor é bom, Ele nos perdoa sempre! O motivo para perdoar o irmão não é porque
ele merece o nosso perdão. O fundamento é o perdão incondicional de Deus ao ser
humano. Pensemos na crucificação de Jesus, quando Ele pede que o Pai perdoe
seus algozes, pois “eles não sabem o que fazem”. Deus “não nos trata como
exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas”, canta o
salmista.
Temos ainda uma motivação para o
perdão, que está na Carta de Paulo aos Romanos (14,7-9): lembrar que não
vivemos para nós, mas para Deus e, ao morrer, compareceremos diante d’Ele. A
lembrança viva da nossa finitude pode nos ajudar a não nos apegar à raiva e ao
rancor, mas decidir viver de maneira melhor, amando e perdoando.
Caros irmãos e irmãs, é importante
deixar claro que perdoar não é concordar com o pecado; perdoar também não é
aceitar uma situação de violência ou injustiça. O perdão só pode acontecer
quando há arrependimento e desejo sincero de mudança. Sempre que rezarmos:
“perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos”, peçamos a graça de
perdoar.
Pe. Eduardo Luis Haas
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