Qual a diferença entre correção fraterna e ficar controlando a vida alheia? Sabemos o quanto é difícil ajudar alguém a perceber os próprios erros e como é delicado aceitar que nos corrijam também. Os textos bíblicos do próximo domingo apontam nesta direção (Ez 33,7-9; Sl 94; Rm 13,8-10; Mt 18,15-20).
A
Palavra de Deus está falando para irmãos que estão vinculados em Cristo pela
fé. A premissa que São Paulo coloca é que todos temos uma dívida uns para com
os outros: o amor fraterno. Deus nos ama de tal maneira que nós não podemos
ficar indiferentes à vida dos que são nossos irmãos e irmãs.
Jesus
nos oferece um passo-a-passo: primeiro, o diálogo em particular com a pessoa
que queremos ajudar; depois, se ela não tiver nos escutado, levar uma ou duas
pessoas da comunidade conosco; se ainda assim ela não escutar, trazer a questão
para a comunidade-Igreja. Se, com essas três instâncias de correção fraterna, a
pessoa ainda não der ouvidos, então é preciso deixá-la colher as consequências
de seu pecado, de sua teimosia e de seu fechamento.
Só
devemos nos aventurar na correção fraterna se estivermos movidos pelo amor e
pelo desejo sincero de ajudar a outra pessoa. Nunca devemos corrigir para
humilhar, para nos vingar, para nos sentir superiores ou melhores. Outra coisa
importante: se eu percebo o desvio de conduta de alguém, a única pessoa com
quem eu devo falar disso é a própria pessoa. Normalmente nós falamos da pessoa
em questão para os outros, e não chegamos a ela para dizer aberta e
caridosamente o que se está percebendo sobre ela.
Vamos
nos avaliar: se uma pessoa que me quer bem chegar até mim e apontar um
comportamento meu que está errado, como vou reagir? Vou agradecer, acolher e
pensar sobre o que ela disse ou vou responder com o tradicional “Vá cuidar da
tua vida”? Quem não acolhe correção para si também não pode corrigir ninguém.
Deus se importa conosco. Por isso devemos importar-nos com a vida do outro.
Pensa nas tuas relações fraternas, nas pessoas que tu amas e percebes que
deverias ajudar. E pensa também nas pessoas que já te disseram coisas que,
talvez, não acolheste. Possivelmente Deus as tenha utilizado como mensageiras.
Que ama cuida, zela, corrige. Boa meditação!
Pe. Eduardo Luis Haas
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